La dolde vita
terça-feira, 7 de setembro de 2010
A estranha mania de Carolina
Carolina andava em sua bicicleta cor de rosa e brincava despreocupadamente pelas ruas da lapa, quase que todos os dias. Tinha uma mania muito estranha: Dar-se vários nomes. Sempre que alguém a perguntava por seu nome ela ditava algo muito diferente. Nomes de meninos, meninas, não tinham distinção. Carolina gostava mesmo era de se imaginar fazendo mil coisas e sendo mil pessoas diferentes.
Certo dia, andando pelas mediações da lapa mesmo, Carolina foi abordada por um senhor idoso o qual lhe perguntou o que uma criança tão bonita fazia andando sozinha por ali. Carolina muito instigada com a situação puxou papo com o vovô que parecia ser uma boa pessoa. E não se demorou muito para que o senhor logo perguntasse o nome de Carolina, ela então disse: "Me chamo Gerencio, Gerencio Pinto!" O idoso caiu em uma gargalhada de cansar o abdômen. Olhou para os olhos azuis e pequenininhos da menina e falou que era impossível ela se chamar Gerencio, posto que além de ser nome de menino, era um nome bem estranho.
Carolina não se deu por vencida e repetiu: "Me chamo Gerencio, moro na Lapa desde sempre! Tenho dez anos, minha mãe é advogada e meu pai... ta por ai. AH! E próximo ano eu vou à França! O senhor sabia que eu já viajei o mundo inteiro?" O jeito como a menina falava, cheia de convicção. E assim foi chegando mais e mais pessoas em sua volta e, cada vez mais, ela se empolgava e contava as maiores loucuras sobre sua incrível vida. "Como uma menina de dez anos poderia ter feito aquilo tudo?" Era o que muitos amontoados na pequena multidão se perguntavam. Outros pensavam: "Nossa que imaginação fértil!"
Carolina contou milhares de histórias e de repente virou-se apressada dizendo ao senhor idoso, o qual ainda a ouvia com atenção, que precisava ir embora. Antes que ela pudesse pegar sua bicicleta rosa, que parecia um tanto pequena para o tamanho dela, o senhor esperou o amontoado de pessoas se esvaírem e perguntou: "Mas me diga, como tão pequena e já viajou todo esse mundo? Só me conte o truque!" Carolina abriu um sorriso que ia de orelha a orelha e respondeu: "Moço sou do mundo e não tenho nada, meu transporte é minha imaginação e com ela vou pra qualquer canto!"
A menina pegou a bicicleta e saiu pedalando o mais rápido que conseguia. O senhor idoso deu uma boa olhada nas roupas sujas de Carolina e só então reparou seus pés descalços. Tentou gritá-la, mas a idade já não lhe permitia tamanha bravura vocal. Mais ao longe ela juntou-se a um grupo de meninos de rua onde compartilhou algumas moedas que estavam em seu bolso. Carolina não tinha casa, não tinha família. Mas Carolina não perdera a vontade de sonhar.
sábado, 21 de agosto de 2010
O ladrão de almas

Contrio os músculos, agarro-me ao travesseiro, enfio nele a cabeça, mordo os lábios sufocando o grito mais profundo. "Isso não pode esta acontecendo comigo! Não de novo!" Os ponteiros das horas em meu relógio de pulso já não se movem em sintonia comum aos dos minutos. O tempo para. A sensação de rouquidão sobe minha garganta, perco o ar... Debato-me sob a cama em movimentos bruscos. Sinto a punhalada de uma faca ao meu peito, mesmo sem a tê-la. Sorrio de forma descontrolada, a sensação de pertubação me contagia por inteiro.
Num único suspiuro lembro-me de todo o ocorrido: "Inicio de madrugada, um pequeno homem esquivado sobre um beco qualquer, carregava em sua mão direita um objeto pontiagudo. Mais ao longo, uma moça branca de longos cabelos castanhos e profundos olhos azuis, andava sobre passos apressados, quase que aos tropeços. Seu olhar se perdia em desespero, parecia não dever estar ali..."
Aquele ser noturno atraente e de feição ingênua, atraía-me de forma intensa e compulsiva. Sim, eu era o pequeno homem esquivado sobre o beco cuja a mão carregava uma pequena faca. Num rápido e minucioso movimento encostei aquela moça sobre o beco sem nem ao menos saber sua procedência e, ali mesmo a fiz tragar o próprio ar com um corte perfeito e simétrico em sua delicada garganta. Agonizou por menos que dez segundos. Despediu-se de mim com um olhar profundo.
Aquela sensação de poder sobre a vida e morte me enchia de prazer. Toquei os lábios do cadáver com um beijo, o que me traduziu um imenso erotismo. Porém não me satisfiz. Levei o cadáver para um casebre longe da cidade grande onde eu costumava "trabalhar" minhas vítimas. Sem pestanejar, esquarteijei aquela mulher feito um porco a ser coziso. Triturei sua carne e por fim me servi de um banquete delicioso feito de algumas partes de seu corpo. Mas daquela vez foi um tanto diferente. A sensação de prazer se esvaiu de rapidamente e deu conta a uma pertubadora melancolia.
Já fazia um certo tempo que eu decidira parar de roubar almas. Aquela sensação de ter quebrado o pacto com minha própria decisão fazia-me criar um sentimento de ódio e repulsa por mim mesmo. Mas era quase que impossível me controlar, a abstnência do meu ritual sagrado era algo que me corroia as entranhas. Eu já não tinha fé em Deus e menos no Diabo. Minha punica crença era na morte e em seu doce gosto.
Deitado sob mais uma cama de mais um quarto de hotel de beira de estrada. Numa madrugada cizenta e amarga, continuo meu desespero... Relembrando e relembrando todas as minhas vítimas. A agonia preenche meu ser. A vontade que meus pensamentos se calem não passa. Às vezes queria recomeçar de uma maneira diferente, poder esquecer toda essa psicose que me envolve. Não vejo a mim forma cabível de sanar minha loucura e calar meus pensamentos, a não ser tomar do próprio veneno que venho jorrando a anos, a morte.
Percebo que em meu bolso ainda se encontra a faca a qual, há poucas horas, tomei por fim a vida daquela moça de profundos olhos azuis. Talvez em um raro momento de sanidade, mando a pequena faca de encontro a minha garganta. "Agonizo por menos que dez segundos". Tinjo os lençóis da cama num tom escuro de vermelho. Tomo por fim minha obsessiva ilusão, apenas o fruto de um coração solitário. Caio no esquecimento, MORRO!
FIM
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